Muito
se comenta a respeito das coligações
partidárias, como sendo uma simples
acomodação de pessoas em cargos,
o legítimo empreguismo do setor público.
Na verdade a coisa é muito simples
e um pouco diferente do que se fala ou pensa.
Um partido político é uma
agremiação com um projeto
de governo, que visa o crescimento da nação
como um todo. Para que isso seja possível,
o partido precisa estar no poder, com poder
de decisão e caneta na mão.
Nem sempre isso é possível
e quando os partidos vêem uma possibilidade
de ficar fora do contexto procuram fazer
coligações com outras agremiações,
geralmente que tenham afinidade com suas
opiniões políticas. Destas
coligações surge então
uma oportunidade de os partidos terem alguns
cargos na administração pública,
que possibilita que mesmo não sendo
o partido cabeça de chapa, consiga
impor em alguns momentos sua linha de pensamento.
Posto isso, vamos ao que aconteceu no pleito
de 2006. A ampla coligação
com alguns dos maiores partidos do estado,
chamada de tríplice aliança,
que levou o então Governador Luiz
Henrique da Silveira a ocupar novamente
o posto por mais 4 anos, teve sua situação
política definida e as posições
dos partidos coligados também definidas,
isso amplamente publicado na mídia
estadual, com percentuais de cada partido
na partilha de poder. Infelizmente, assim
como existem pessoas que lembram que para
chegar ao poder foram necessários
esforços de todos, há os que
esqueceram disso e partiram para ataques
de todos os lados desestabilizando a harmonia
da coligação. A palavra do
governador foi de que, uma vez definidas
as indicações pelos presidentes
dos partidos em cada região, esta
decisão seria respeitada e não
seria contestada. Que engano. Dentro do
próprio partido do governador houveram
punhaladas a pessoas da mais alta postura
ética e justamente por gente de dentro
do próprio partido. Gente que vêm
desestabilizando todo um trabalho de coligação.
Gente que esqueceu por alguns momentos,
que eleições existem a cada
2 anos e que coligações serão
necessárias se quiserem manter o
comando político do estado e dos
municípios. E agora? Como ficará
o futuro das coligações? Acho
eu que em nova eleição, tudo
recomeça, uma vez que a última
não foi respeitada, como confiar
num parceiro deste naipe? É como
um namoro onde houve uma traição,
nunca mais se adquire confiança.
Pode-se até deixar passar, mas esquecer,
nunca. É um impasse o que se tem
pela frente em termos políticos.
A possibilidade de uma reedição
da tríplice aliança, dependerá
muito da condução da coligação
estadual que ainda não se concretizou
completamente. Quem está perdendo
com isso? Os partidos da coligação?
Não, na verdade quem está
perdendo é a população,
que paga a conta e que não consegue
ver os resultados práticos de toda
esta situação. Não
estou falando aqui em nome do partido que
pertenço e sim dando minha opinião
pessoal, até porque não tenho
autoridade delegada para falar em nome do
partido, mas sei que minha opinião
é compartilhada por muitos companheiros.
E quanto ao namoro iniciado em 2006? Bom
isso dependerá muito de condução
como disse acima e do respeito ao que foi
definido no início do namoro. Esperaremos
para ver o que acontecerá.
Paulo
Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br