Todos
as manhã logo ao acordar, a primeira
coisa que faço é ligar a TV,
no primeiro noticiário do dia. Fico
atento para saber, pois a notícia
vem logo. Mais de 140km de engarrafamento
em São Paulo. Fico apreensivo para
sabe em quais ruas é maior o engarrafamento.
Aquilo me dá uma angústia
pois às vezes ele decidem mostrar
outra notícia, não menos relevante,
sobre como está difícil viver
no Rio de Janeiro pois as balas perdidas
já estão atingindo até
mesmo os criminosos. Mudo rapidamente de
canal e logo vem notícia do helicóptero
que está sobrevoando a marginal Pinheiros,
que está totalmente paralisada e
com acidente ali na frente. É o caminhão
que estava indo, quando foi cortado por
um carro e bateu trancando o trânsito.
Isso aumentou o engarrafamento para 152km.
A notícia me faz tremer. Já
pensou, 152 km de engarrafamento, como fazer
para se locomover e chegar em tempo ao seu
trabalho. Fico imaginando os profissionais
da saúde, saindo de casa, tentado
chegar em seus locais de trabalho, mas como
estas longas filas, teriam que sair de casa
no dia anterior. Que agonia, mudo novamente
de canal,pois não passa mais notícias
sobre o trânsito. No outro canal,
tem mais. Outro helicóptero no ar,
mais informações sobre o trânsito.
Mudo para outro canal, novamente o trânsito,
desta vez, foi um balão que caiu
e provocou um incêndio numa fábrica
da periferia, o que só aumentou o
engarrafamento. Tudo isso eleva meu estresse
ao máximo. Como fazer para sair de
casa, como chegar no trabalho, mas só
existe uma maneira, tenho que ir, mas antes,
vou tomar um café, porque não
posso ficar de barriga vazia no meio deste
trânsito caótico, enquanto
isso ligo a TV da cozinha e lá vem
mais engarrafamento, intercalado sempre
com alguma notícia trágica,
até porque os noticiários
viraram todos programas sanguinários,
daqueles que quanto mais desgraça
melhor, tipo Gil Gomes, lembra dele? Tomo
meu café, e desço para a garagem
do prédio. Saiu com o carro com a
adrenalina a mil, pois pode ter um ladrão
tentando me seqüestrar logo na saída,
mas .... nada, nem uma viva alma na minha
rua. Saio com o carro, logo na primeira
sinaleira, lá vem o medo novamente.
Tem um cara vendendo alguma coisa. E se
ele for um assaltante, escondo meu relógio
Timex, para ele não roubar, sabe
como é, de repente pensa que é
um Rolex, e lá se vai meu braço.
O sinal fica verde e sigo em frente. Atravesso
a cidade em 3 minutos e já estou
com o carro no pátio da empresa onde
trabalho. Nem sinal de engarrafamento, afinal,
eu não moro em São Paulo.
Acho que as TVs só mostram tudo aquilo
para a gente ver quanto é bom morar
em cidade pequena...ufa......
Paulo
Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br