:: Eu queria ser Alienado Politicamente :: 21/06/2010

Durante o período de ditadura militar, toda a minha geração ficou alienada politicamente. Não discutíamos política em público, na verdade nem em segredo nós o fazíamos, pois o medo era constante. Éramos tão alienados que quando jovem, eu fui fazer um intercâmbio estudantil nos EUA,e conheci um jovem de Florianópolis, Paulo Prisco Paraíso, que tive a oportunidade de visitar em sua casa americana algumas vezes, mas uma destas vezes, o dono da casa, em conversa conosco, me perguntou, de quem eu gostava mais, do Médici ou do Geisel. Eu no alto de minha imbecilidade política, disse que do Médici. Jamais esqueci a expressão no rosto do Paulo, dizendo ao americano, “este é o pensamento de nossos jovens, gostam mais do Médici porque ele é mais simpático”. Realmente ele ria mais do que o Geisel, mas foi o período de maior repressão em todos o período de intervenção militar no país. Talvez ele risse mais por ser sádico, vai saber. Naquela época, eu era feliz e não sabia. Acreditava em tudo o que lia nos jornais, fosse eu ainda hoje o mesmo alienado, acreditaria que o Lula não sabe de nada, que ele é inocente de tudo. Acreditaria que o país em 1 ano triplicou suas reservas cambiais e agora pode pagar a dívida externa, mesmo com a economia freada. Acreditaria que o BBB teve 60.000.000 de ligações. Pois vou confessar uma coisa, como eu gostaria disso. Eu queria na verdade, assistir o Faustão, e chorar na frente da TV com aquela palhaçada do esta é sua vida (não sei o nome do quadro) onde eles entrevistam supostos amigos e familiares das “celebridades” que ali estão, num esforço para ver se os caras choram e o ibope aumenta um pouquinho. Queira assistir o Gugu e gostar daquilo que ele apresenta. Ah como eu queria isso. Queira gostar de cerveja para chegar no fim de semana sentar num banquinho com um grupo de amigos, falar de futebol, tomar cerveja, comer um churrasquinho dormir a tarde para na segunda-feira, ir trabalhar, em um trabalho simples, mas digno. Um trabalho repetitivo, como apertar o botão da máquina para ela funcionar, sem ser necessário pensar, tipo o personagem Homer Simpson, um típico americano de cabeça vazia como outros milhões, e sabem porque isso? Porque é muito frustrante neste país a gente saber alguma coisa, ter senso crítico, que não leva a lugar algum, que só nos frustra quando vemos as pesquisas encomendadas, colocando alguém em um patamar que nunca entendemos, pois com todas as pessoas que conversamos ninguém pensa como aqueles pesquisados. Pena não conseguir isso e enxergar as coisas como elas são, é triste....

Paulo Ricardo Silva Todeschini

Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br

 

 

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