Durante
o período de ditadura militar, toda
a minha geração ficou alienada
politicamente. Não discutíamos
política em público, na verdade
nem em segredo nós o fazíamos,
pois o medo era constante. Éramos
tão alienados que quando jovem, eu
fui fazer um intercâmbio estudantil
nos EUA,e conheci um jovem de Florianópolis,
Paulo Prisco Paraíso, que tive a
oportunidade de visitar em sua casa americana
algumas vezes, mas uma destas vezes, o dono
da casa, em conversa conosco, me perguntou,
de quem eu gostava mais, do Médici
ou do Geisel. Eu no alto de minha imbecilidade
política, disse que do Médici.
Jamais esqueci a expressão no rosto
do Paulo, dizendo ao americano, “este
é o pensamento de nossos jovens,
gostam mais do Médici porque ele
é mais simpático”. Realmente
ele ria mais do que o Geisel, mas foi o
período de maior repressão
em todos o período de intervenção
militar no país. Talvez ele risse
mais por ser sádico, vai saber. Naquela
época, eu era feliz e não
sabia. Acreditava em tudo o que lia nos
jornais, fosse eu ainda hoje o mesmo alienado,
acreditaria que o Lula não sabe de
nada, que ele é inocente de tudo.
Acreditaria que o país em 1 ano triplicou
suas reservas cambiais e agora pode pagar
a dívida externa, mesmo com a economia
freada. Acreditaria que o BBB teve 60.000.000
de ligações. Pois vou confessar
uma coisa, como eu gostaria disso. Eu queria
na verdade, assistir o Faustão, e
chorar na frente da TV com aquela palhaçada
do esta é sua vida (não sei
o nome do quadro) onde eles entrevistam
supostos amigos e familiares das “celebridades”
que ali estão, num esforço
para ver se os caras choram e o ibope aumenta
um pouquinho. Queira assistir o Gugu e gostar
daquilo que ele apresenta. Ah como eu queria
isso. Queira gostar de cerveja para chegar
no fim de semana sentar num banquinho com
um grupo de amigos, falar de futebol, tomar
cerveja, comer um churrasquinho dormir a
tarde para na segunda-feira, ir trabalhar,
em um trabalho simples, mas digno. Um trabalho
repetitivo, como apertar o botão
da máquina para ela funcionar, sem
ser necessário pensar, tipo o personagem
Homer Simpson, um típico americano
de cabeça vazia como outros milhões,
e sabem porque isso? Porque é muito
frustrante neste país a gente saber
alguma coisa, ter senso crítico,
que não leva a lugar algum, que só
nos frustra quando vemos as pesquisas encomendadas,
colocando alguém em um patamar que
nunca entendemos, pois com todas as pessoas
que conversamos ninguém pensa como
aqueles pesquisados. Pena não conseguir
isso e enxergar as coisas como elas são,
é triste....
Paulo
Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br