:: Que Fácil Dar as Coisas dos Outros :: 03.05.2010

Tenho acompanhado a luta dos proprietários de terras na região da Coxilha Rica, em Lages/SC para conservar o que é deles por direito, contra uma preservação que pode, segundo li, beneficiar algumas pessoas e estas não são os proprietários, mas sim pessoas que acham o local bonito, que acham que deve ser preservado, mas segundo li, existem mais coisas no meio. Leia-se aí, a decisão de como explorar a região, ou o que pode ou não fazer ali, chegando até o recebimento de recursos advindos da tão falada Usina do Paiquerê. Aí me lembro daquela casa na Nereu Ramos, hoje um tapume em plena rua principal da cidade, que foi tombada pelo patrimônio do município. Não sou contra os tombamentos, mas se for para fazer isso, eu acho que o poder público que decidiu pelo tombamento, tem a obrigação de ressarcir os donos do prédio, ou área tombada e que os investimentos em conservação sejam desde então, assumidos pelo órgão. Porque senão fica muito fácil. Alguém que “está” autoridade, decide por algum motivo que um determinado imóvel deve ser tombado e o "propriotário", não errei não, porque neste caso é o "próprio otário" quem deve dar manutenção no imóvel, inútil mas preservado. Alguém já me disse em outros tempos, coisa velha a gente tira fotos, filma, guarda de lembrança e derruba para dar andamento na vida e eu concordo com isso, mesmo que digam que estou contra a preservação da história. Não sou contra a história ou sua preservação, sou contra a arbitrariedade em cima da propriedade alheia, pois aí, tiramos o direito de ter algum patrimônio de qualquer pessoa. Da mesma forma como sou contra a forma como está se fazendo reforma agrária neste país, onde os terrenos são simplesmente invadidos, geralmente áreas nobres, em beiras de estradas asfaltadas, e algumas vezes produtivas, mas....quem se importa? Também não sou contra a reforma agrária, mas sou francamente contrário a retirada de bens de pessoas que batalharam legitimamente para adquirir suas propriedades e dela são espoliadas pelo governo para dar a gente que, muitas vezes nem sabe pegar numa enxada. Quer fazer reforma agrária? O próprio governo tem terras por todo este país, então que o faça nestas terras em primeiro lugar somente depois é que se pensaria em ir para dentro de propriedades alheias. Agora estão na Coxilha Rica, região maravilhosa para se fazer turismo contemplativo, devo confessar que fiz muitas trilhas de moto na região, inclusive dentro do famoso corredor da Coxilha Rica e que se fosse cremado, gostaria de ter minhas cinzas jogadas ao vento por ali, mas daí a tirar o direito de as pessoas gerirem seus próprios negócios??? Acho que alguém deve pensar muito antes de tomar esta decisão que afetará tantas famílias, ou então, que em caso de tomada da decisão favorável a demarcação da APA, o poder público arque com as despesas de desapropriação e manutenção da área, o que sabemos é inviável economicamente e que fatalmente será invadida por hordas de pessoas buscando terra da maneira mais barata que existe, através da reforma agrária. Também não sou contra as APAs, mas sim contra o roubo de propriedade alheia em qualquer nível.

Paulo Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br

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