Definições
Engraçadas para Usuários de
Motocicletas
Este é um glossário engraçado
sobre os indivíduos que utilizam
motocicleta, seja como esporte, lazer ou
trabalho. É salutar conhecer bem
esses termos, pois deve-se tomar certo cuidado
ao abordar um deles. Se chamá-lo
pela denominação errada, certamente
terá problemas.
Motoqueiro
Indivíduo que anda sobre uma máquina
que tem dois pontos de contato com o solo.
Note que qualquer ser que consiga se equilibrar
sobre os quartos traseiros pode ser um motoqueiro,
ainda mais considerando o preço de
uma moto 125 com mais de 10 anos. Quando
esse indivíduo comprou seu veículo
de duas rodas, acreditava que qualquer coisa
sobre o asfalto que tenha mais de duas rodas
é um obstáculo a ser vencido
(tem certeza que se tivesse comprado aquela
DT 180 85 daria para pular por cima). Atualmente,
depois de três multas por andar sem
capacete, várias mijadas de guardas
por estar de chinelo e sua foto (ou melhor,
a da traseira da moto com ele cobrindo a
placa com a mão enquanto "fazia
bundão" pro pardal) espalhada
por todas as repartições do
Detran, ele é o dono da rua ! Sua
próxima aquisição será
aquele ferrinho de pôr na rabeta para
poder empinar sem estourar a lanterna traseira...Aí
sim vai ser "animal" passar nos
pardais.
Motociclista
Este indivíduo se considera a casta
nobre dos condutores de motocicleta, pois
só anda de capacete, não grita
"volta pra cozinha!!!!" quando
uma mulher inadvertidamente lhe fecha no
trânsito e nunca joga papel de bala
no chão. Não consegue ficar
15 minutos sem pensar na sua possante e
acha que não existe coisa melhor
no mundo que andar de moto. Se sua mulher
deixasse, guardava a moto na sala de jantar.
Mas como não há substituto
para sexo, guarda a moto debaixo de uma
lona na garagem mesmo (mas só cobre
depois do motor esfriar, nem que tenha que
ir até à garagem as 3:00 horas
da manhã mais fria do inverno para
cobrí-la).
Biker
Indivíduo totalmente "sui generis".
Também se considera de uma casta
nobre, mas de um filó absolutamente
diferente dos demais. Começou aos
10 anos com uma Caloi Super, de quadro de
ferro e 10 marchas (era o moleque mais rápido
do quarteirão sobre sua bicicleta).
Quando cresceu e virou gente, a 1ª
moto que comprou foi uma RD350, que passsava
horas lavando e encerando. Divertiu-se muito
com esta RD ("Meu, tu não acredita
em quantos minuto fiz do trampo pra casa,
e isso ao meio-dia !). Aí ganhou
mais dinheiro, teve dois filhos, trocou
a Parati rebaixada com vidro fumê
por um Santana de 4 portas e comprou uma
moto esportiva. Mais de 130 cavalos, sem
contar o condutor e velocidade final de
270 km/h (mas com o Sarachú que ele
vai colocar vai passar dos 285 frouxo).
Sua diversão é subir até
o topo da serra e descer, uma vez atrás
da outra, das 8:00 às 11:30 de todo
sábado de sol, fazendo todas as curvas
na horizontal. Sempre se veste com uma jaqueta
que se liga por zíper à calça,
das cores mais psicodélicas possíveis
e que geralmente custam um valor de 4 dígitos.
Quando chega em casa pro almoço depois
do exercício de sábado, a
1ª coisa que faz é abrir a jaqueta
de guerreiro do futuro pós-apocalípse,
amarrar as mangas na cintura e em seguida
atacar a geladeira atrás de líquidos,
pois quase desidrata de tanto suar dentro
do uniforme. Depois de beber dois litros
de água, suco, chá, cerveja,
etc, beija a mulher (a qual manda ele tomar
banho porque está fedendo chulé)
e vai vistoriar os novos riscos nas pedaleiras
que fez naquelas curvas "animais"
da serra. E pensa consigo mesmo "sábado
que vem ponho o Sarachu, aí sim vai
dar pra aproveitar toda potência".
Cochinha
Na verdade, essa definição
serve para todas os usuários de moto.
É aquele indivíduo que tem
um veículo de duas rodas dentro da
sala de TV. Acha que o importante é
ficar babando em cima da moto, e só
anda com ela nos fins de semana de sol e
quando emenda um feriadão e não
vai viajar com a patroa e os 3 filhos. Seu
maior prazer é sair de carro com
os amigos e falar de motos. Quando sai para
dar umas voltas (depois de entrar nos sites
disponíveis para ver se há
risco de tomar chuva naquele sábado
de céu azul) e não pára
em sinaleiro sem ficar acelerando o motor.
Geralmente sai no gás para frear
em cima do carro em frente a 30 metros.
Sua política é que moto é
a melhor coisa do mundo, mas em viagem com
mais de 30 km é melhor ir de carro
por ser mais seguro, ter rádio toca-fita
com magazine de 12 CDs no porta-malas, ar
condicionado, etc. Além do mais,
"não sei não, mas parece
que vai chover semana que vem, por isso
não sei se vai dar pra ir junto com
vocês..."
Tiro
Curto
Denominação dada ao indivíduo
sobre duas rodas que vai a qualquer encontro,
em qualquer lugar, pagando ou não,
com qualquer tempo, mas raramente chega
lá no dia programado. Sempre fica
no meio do caminho para arrumar um probleminha
na moto que só depende de se conseguir
uma peçinha na cidade vizinha. A
sua moto é o arquétipo da
moto ideal, mecanicamente perfeita. Aqueles
barulhinhos irregulares são charme
próprio. A bomba de óleo que
estourou ontem, o fluído de freio
vazando na semana passada e a torneira de
combustível entupida do último
encontro (30 dias antes) são coisas
da vida que acontecem com qualquer um. Geralmente
é o 1º a apoiar a idéia
do MC comprar uma carretinha pro carro de
apoio ("Lembra daquela vez que o "fulano"
teve de dormir naquele motel pulguento?
Ainda bem que não estava junto, já
que minha moto estava na revisão,
mas se a gente tivesse a carreta vocês
poderiam ter colocado aquela porcaria da
moto dele em cima"). Facilmente reconhecido,
pois conhece os nomes de todo mundo na sua
concessionária, do mecânico-chefe,
gerente ao cara de CG que faz entregas.
Quando consegue chegar de volta de um encontro
sobre a moto (e não dentro do carro
de apoio) fala prá todo mundo que
esse foi um dos melhores encontros que aquela
cidadezinha já fez. Muito melhor
que o do ano passado, pois de tanta chuva
(na verdade era uma garoa forte) molhou
as velas e teve de dormir num hotel na entrada
da cidade que lhe cobrou uma nota preta.
"Este ano foi diferente, a organização
não deixou ninguém nos explorar
com hotéis caros... Aquela mancha
de óleo ali ? Isso é óleo
que jogaram embaixo só para me sacanear.
Essa moto não dá oficina"
!
CGzeiro
Começou com uma Turuna 80 (aliás,
impecável) do tio dele e agora esta
já na sua 3ª Today. Seu sonho
de consumo era uma Titan ES, mas agora com
a YBR, está em dúvida...se
a troca de óleo for mais barata pode
até pensar. Entre seus amigos é
muito querido, pois além de fazer
zerinhos perfeitos ("aquela vez que
a moto escapou e acertou um Audi estacionado
do outro lado da rua foi porque a rua ali
na frente do colégio tem muita pedrinha
solta por causa dos ônibus que passam
aos montes") e, também, a melhor
antena corta-cerol do bairro. Pensa um dia
escrever para a Duas Rodas e perguntar se
não querem fazer um teste com seu
corta-cerol. Numa dessas pode até
começar a faturar uns trocados com
os pedidos...
Super
Biker
Indivíduo bastante curioso. Sua filosofia
de vida é chegar lá. Não
importa onde, desde que seja rápido
e antes dos colegas com aquelas velharias
de 1998. Seu modo de trajar é bastante
semelhante ao do "biker", mas
difere por sempre usar capacete de fibra
de carbono com kevlar trançado, viseira
anti-embaçante e à prova de
impactos, além de cinta jugular acolchoada
de nylon anti-alérgico que pesa somente
127 g. Têm um jeito peculiar de andar
quando está sobre os próprios
pés, pois sempre inclina a cabeça
prá frente para melhorar a penetração
aerodinâmica. Não são
muito vistos sobre as motos, pois quando
você olha ele já passou. Detesta
andar devagar, pois o "pressurized
air charged direct double induction system"
só começa a funcionar a partir
dos 195 km/h (se bem que a nível
do mar já entra nos 185 km/h). Além
do mais, andar a menos de 200 km/h é
coisa de frouxo. É facilmente reconhecível
nas boates dos encontros, pois sempre são
é o primeiro a chegar e quando se
pergunta a um deles se o túnel na
BR ainda estava em reformas ele responde
"Reformas? Não vi máquina
nenhuma...". Outra característica
marcante é seu ódio descomunal
a insetos. Isso porque dói pra cacete
levar uma besourada no pescoço a
298 km/h. Acredita piamente que até
o ano 2010 estarão em produção
motos de série que rompam a barreira
do som ("Aí sim vai dar para
curtir o vento no rosto...").
Custom
A denominação é derivada
do tipo de moto que pilota. Sua filosofia
de vida é ir, não importa
quanto tempo leve nem se vai chegar lá.
Só ouve rock, respira couro e come
cromo. Se não for cromado não
presta. Veste-se dos pés a cabeça
com roupas de couro (até no capacete
às vezes), incluindo-se cuecas e
meias, geralmente na cor preta. Além
do couro, adora usar penduricalhos presos
à roupa, como correntinhas, broches,
etc. Não gosta muito do verão
por que no sol toda essa roupa preta esquenta
pra cacete. Considera-se o "bad boy"
do reino de duas rodas, mas a maioria pede:
"por favor, não fala palavrão"
e até respeita mulher no trânsito.
Também não gosta de insetos,
pois como geralmente usa elmos abertos,
detesta comê-los quando está
pilotando. Nos encontros, se você
perguntar se o túnel na BR ainda
está em reformas, responde com detalhes,
pois anda tão devagar que consegue
até ler o nome nos crachás
dos trabalhadores.
Trilheiro
Esse indivíduo não faz parte
da fauna urbana, pois só se sente
a vontade quando está no meio do
mato. Seu credo é "no barro
é que me realizo". Só
é feliz quando está com barro
até a cueca, já que andar
no asfalto é coisa de "mariquinha".
Quanto mais chover melhor, pois assim a
trilha estará bem enlameada. É
um dos poucos seres sobre moto que sabe
lavar roupa, pois sua mulher se recusa a
pôr a mão ou deixar que a empregada
lave aquela imundície que é
a roupa dele andar de moto. Detesta os "coxinhas"
e "flanelinhas", já que
moto limpa não presta e é,
no mínimo, coisa de fresco. Não
vai muito a encontros, pois só existem
encontros em cidades, nunca na terra ou
no mato e andar no asfalto é coisa
de mariazinha.
Flanelinha
Também é uma categoria encontrada
em todas as tribos. Esse indivíduo
tem como meta na vida deixar sua moto brilhando.
Não existe coisa pior que mancha
ou sujeira. Também é dos poucos
que lava roupas, pois só usa roupa
limpa ao andar de moto para não sujar
o banco. Nos encontros que vai (apenas na
época de seca e somente em cidades
limpas) ganha todos os prêmios de
moto mais bem conservada. Característicamente
sempre carrega um paninho, pois sempre pode
aparecer uma sujeirinha. Conhece de cor
nomes e fabricantes de todas as marcas e
tipos de cêras e polidores, além
de conseguir citar de traz para frente a
sequência de lavagem de sua moto.
Uns chegam ao ponto de plastificar a moto
inteira ("Sabe como é, radiação
ultra-violeta pode danificar a pintura.
Não dá pra se descuidar").
Nos encontros, para achá-lo é
só ir onde estão as meninas
em trajes mínimos lavando motos.
Geralmente tem um flanelinha ajudando ou
ensinado elas a lavar.
Estradeiro
É uma espécie de nômade
que não gosta muito de mulher, e
por isso ainda não conseguiu criar
raízes em lugar algum. Na dúvida,
ele pega a estrada, não importa pra
onde, desde que seja longe. Também
não se importa em quanto tempo vai
levar ou se tem alguma coisa lá,
o importante é ir. Uma de suas características
é transformar a moto num motorhome,
com malas, alforjes, bagageiros, mochilas
e pochetes por tudo, sempre com um 2º
capacete em cima da pilha mais alta. É
o único indivíduo sobre duas
rodas que acredita não seja totalmente
verídica a estória de que
todo caminhoneiro tem a mãe na zona.
Afinal, naquela viagem do mês passado
ao Aconcágua (que fez saindo pela
Transamazônica), foi um caminhoneiro
que lhe deu carona de volta a Manaus quando
o pneu traseiro rasgou. Sempre que encontrar
um "estradeiro" e ele disser já
volto, desconfie. Se pudesse, trocaria o
irmão mais novo para ir de moto à
Daytona (saindo da Terra do Fogo, é
claro).
Motoclube
Uma reunião formal, legalizada e
com estatuto a ser cumprido pelos usuários
de moto. Normalmente, é composto
apenas por uma das denominações
anteriores e todos são identificados
por uma jaqueta, colete ou camiseta e com
uma figura às costas, com dizeres
do tipo "pelo asfalto, minha vida"
ou qualquer outro dizer imperioso. Quanto
mais coisas e penduricalhos conseguir colar,
costurar ou amarrar no colete ou jaqueta,
melhor. Seus integrantes, nos encontros,
só se misturam com integrantes de
outro MC da mesma categoria e sua principal
diversão é falar mal dos encontros
pagos e das outras "categorias".
Alguns até tem sede própria,
onde fazem as reuniões para decidir
que encontro pago será boicotado
ou qual membro vai ser punido por não
usar o broche do grupo no último
encontro que foram. A maior ocupação
de seus integrantes é confeccionar
adesivos para poder trocar com os outros
MC e aí colar no painel da sede.
Os Motoclubes mais abonados mandam pintar
o carro de apoio, a carretinha e a sede
inteira com as cores do grupo, com um enorme
brasão na parede (no carro de apoio
colocam aqueles adesivos magnéticos
com o emblema do MC nas portas). Para se
relacionar bem com esses indivíduos,
é necessário certo conhecimento
de zoologia para saber qual animal adotaram
como símbolo (além dos seus
hábitos, se carnívoro, onde
se encontra, seus ritos de acasalamento,
etc.).