:: Fio do Bigode :: 05.12.2010

Desde pequeno eu ouço falar que não precisamos escrever nossas promessas, pois a um homem de bem, basta o fio do bigode, pois o que tenho visto ultimamente é justamente a explicação de não se usar mais o bigode comprido, afinal ele não vale mais nada, principalmente quando se trata de política. Engraçado que as pessoas ao se tornarem políticos, têm ao seu favor a prerrogativa de serem sacanas, não que todos o sejam, mas têm a autorização para o serem, pois agora são políticos. Será? Será que é isso mesmo? Será que pelo fato de entrarmos na política nos tornamos automaticamente sacanas? Será que perdemos qualquer noção de valor ao que falamos? Eu me nego a acreditar nisso. Eu prefiro pensar que por ser político, a única coisa que muda na minha vida é o fato de eu acreditar que podemos fazer algo diferente, senão não tem o menor sentido a minha entrada na política. Se eu entrar para fazer o que eu critico, que valor terá a minha participação? Nenhum. Você deve e pensando que eu fugi do tema, pois o título é Fio do Bigode, mas eu não fugi, isso foi só a ilustração do que eu quero dizer com este pequeno texto, na verdade é um termo de indignação, pois vejam o que acontece. Quando há um ano de eleição, é comum que os partidos entrem em acordos, hoje em dia a gente chega a achar que não são só acordos, mas verdadeiros conchavos para chegar ao poder, sem qualquer preocupação com ética, ou com o programa do partido, só com a divisão dos cargos, e é aqui que entra o meu texto. Para se chegar ao poder, tem que ganhar a eleição e para isso os candidatos fazem todo tipo de promessa aos seus parceiros, se eu chegar lá, tu estarás comigo até o fim, dizem eles, e assim, com estas promessas, todos unidos vão alegres, fazer a campanha pelo seu parceiro do momento. Afinal, após verdadeira guerra de nervos de estratégias e politicagens, alguém chega lá e com isso ele ganha o direito de começar a negar suas promessas. Primeiro que ele prometeu um número x de cargos, o que nunca vai acontecer, porque ele tem outros planos e dá a primeira rasteira nos seus companheiros, justamente aqueles que o levaram até o cargo pleiteado. De tempos em tempos ele faz lembrar aqueles que o ajudaram, que eles estão ali por pura complacência dele, por favor dele, virando completamente o jogo político, retirando o verdadeiro valor das pessoas que o ajudaram a chegar lá, mas o pior ainda está por vir, e após seus parceiros se humilharem perante o poder de veto aos seu trabalho, vem nova eleição e então ele se revela por completo, mostrando porque não usa bigode. Na verdade, pêlos que não têm o menor valor. Se vocês não forem a favor do meu candidato, não estão mais comigo, ora, mas o compromisso assumido foi para levar ele ao cargo pretendido e isso foi feito, mas agora ele quer mais e assim se o parceiro não se humilhar mais, negando inclusive suas convicções, estará fora da situação. Onde o fio do bigode? Justamente na promessa de se levar o candidato ao poder e poder ajudar a fazer o melhor por sua população que agora não tem mais valor e vira uma nova situação, ou estás comigo, ou contra mim... Fio do bigode? Porque usar, se não vale mais nada... que pena, pois se não cumprimos nossa palavra, como queremos mudar alguma coisa? E assim vai a política, cada vez perdendo mais seu valor e confiabilidade.

Paulo Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br

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