Guia
de Estrada
Agradeço
aos amigos Klein e Seo Craudio, que me ajudaram
a finalizar este ‘guia’ de estrada,
pois sem eles isto ainda seria uma idéia
abandonada em algum lugar do HD.
DT
–Loco (dt_loco@yahoo.com.br)
1.Considerações
preliminares
Andar
em grupo não é muito fácil.
Por isso desenvolvemos alguns códigos
e posturas para facilitar as viagens.
A
seguir vamos descrever os sinais, códigos
e atitudes que deverão ser tomadas
por todos para facilitar a comunicação
na estrada e bom andamento e segurança
do grupo.
O
mais importante de tudo é cada um
cuidar de quem está atrás.
O uso do espelho retrovisor é fundamental
SEMPRE.
Fazendo
isso você verá os sinais de
pisca, e controlará a distância
do motociclista que vem atrás. Se
a moto de trás ficar com muita distância,
convém você também reduzir
para que o da frente faça o mesmo
e o grupo permaneça unido.
É
evidente que se for um caso isolado de “roda-presa”
este deverá acompanhar a velocidade
média do grupo, e não vice-versa.
Salientamos que “roda-presa”
não é moto que não
desenvolve e sim o motociclista.
Tenha
sempre em mente que o companheiro que vem
atrás nunca sabe quando você
vai frear até ver sua luz de freio
acender, portanto facilite, sempre dê
uma ou duas "beliscadas" no freio
antes de frear propriamente, isso poderá
evitar um acidente!
2.O
Bonde
Na
estrada, as motos devem ocupar uma faixa
da pista, alinhadas em duas filas indianas,
paralelas e intercaladas, evitando-se o
emparelhamento de motos. Cada motociclista
deve sempre cuidar para estar em posição
diagonal em relação ao imediatamente
à sua frente – não deve
tentar ‘corrigir’ os erros dos
outros. Se por qualquer razão a moto
à sua frente mudar de lado, fazer
o mesmo (sinalizando com o pisca-pisca)
de modo a assegurar a formação
alternada.
Um
bonde NUNCA deve ser composto por mais que
dez motos – é preferível
montar dois bondes com cinco e seis motos
ao invés de um com onze: um bonde
com dez motos tem mais que cinqüenta
metros de comprimento e quando se chega
a esse tamanho:
·Fica
difícil para o ferrolho ver o ponteiro
e vice-versa.
·Fica
muito difícil encontrar espaço
para que o bonde todo faça ultrapassagens
em bloco;
·
Queremos manter o bonde unido e evitar que
carros entrem no meio, mas não é
razoável exigir que os motoristas
se mantenham pacientemente ao longo de ‘paredes’
de oitenta metros ou mais de comprimento.
Em
caso de quebra de um grupo em mais de um
bonde o mais rápido deve seguir primeiro
– não adianta soltar o mais
lento primeiro para que ele seja alcançado
a meio caminho.
Cada
motociclista deve assegurar que o da frente
pode vê-lo pelo retrovisor –
basta assegurar que você consegue
ver o capacete do piloto no espelho da moto
à frente. Atenção:
estamos falando da moto que está
diagonalmente à sua frente e não
aquela diretamente em frente.
Se
a velocidade aumenta (mais de 100-110 km/h),
essa distância deve ser ampliada para
proporcionar maior espaço de frenagem.
Em
todo grupo temos o PONTEIRO, o FERROLHO
e o MIOLO/MEIO:
Ponteiro
– Vai à frente do grupo;
Ferrolho
– Vai atrás do grupo;
Miolo/Meio
– Todos que estão entre o ponteiro
e o ferrolho.
O
ponteiro e o ferrolho devem ser os motociclistas
mais experientes do grupo. Além disso,
a moto do ferrolho deve ter bom desempenho,
para que ele possa ultrapassar o bonde e
atingir rapidamente o ponteiro em caso de
problemas.
O
motociclista menos experiente e/ou a menor
moto devem seguir diretamente atrás
do ponteiro, e estabelecem os limites de
grupo em termos de número de paradas
e velocidade de cruzeiro.
O
ponteiro deve ficar SEMPRE do lado esquerdo
da faixa, para facilitar sua visão
do bonde e das condições de
tráfego da estrada.
Em
rodovias de três ou mais pistas, ocupar
a segunda pista da direita para a esquerda:
normalmente a pista da direita apresenta
mais buracos e óleo causados pelos
caminhões.
Em
rodovias com duas pistas, manter-se na pista
da direita, apesar dos problemas acima mencionados,
neste caso é a pista mais segura.
3.O
Ponteiro
·Define
os caminhos e velocidade do bonde. Deve
conhecer o percurso a ser seguido ou ter
estudado cuidadosamente o mapa para poder
orientar o bonde.
·Dosa
a velocidade geral e mantém o agrupamento.
·Sinaliza
com antecedência antes de mudar de
pista para ultrapassagem, calculando a distância
do veículo e o tamanho do grupo para
que não haja redução
de velocidade cruzeiro e muito menos ‘quebra’
da formação.
·Sinaliza
com antecedência também antes
de entrar em vias para evitar que alguém
perca a entrada.
·Vai
para a faixa da direita para dar ultrapassagem
a veículos mais rápidos apenas
quando tiver espaço suficiente para
o grupo todo entrar, e analisa se é
cabível mudar de faixa naquele momento,
ou aguardar para que a pista da direita
esteja mais livre para não ter diminuição
de velocidade.
·
Nesse caso, quando todos estão com
seta para a direita, o ponteiro contesta
mantendo seta para esquerda indicando que
ainda não é o momento de dar
passagem.
4.O
Ferrolho
·O
ferrolho é tão ou mais importante
que o ponteiro para a boa condução
do grupo na estrada, principalmente grupos
grandes.
·Segura
os veículos que porventura quiserem
ultrapassar o grupo, e deve sinalizar com
o pisca para direita. Após todo o
grupo ter mudado de faixa, o ferrolho também
muda, liberando o veículo. Se perceber
que ninguém está dando a seta,
fazer sinal com o farol alto para que percebam.
·
Do mesmo jeito, assim que o ponteiro der
seta para esquerda, o ferrolho deve entrar
à esquerda para segurar os veículos,
e sinalizar para o resto do grupo a pista
livre.
·
Ao perceber algum problema com o grupo,
deve acelerar até o ponteiro e comunicar.
Esse comportamento só deve ser adotado
em caso de problemas que não obriguem
a parada ou redução de velocidade
do bonde – nesses casos é melhor
que o bonde reduza ou pare e que o ponteiro
controle esse comportamento pelo retrovisor.
5.Miolo/Meio
Deverão
indicar as sinalizações de
pisca, situação de estrada
e sinais gerais (entrar a esquerda / direita
com o braço, formação
única, etc.) além de não
permitir, até onde sua segurança
e a do bonde não sejam comprometidas,
que outro veículo entre no meio da
formação.
Particularmente
importante é a reprodução
dos sinais de pisca-pisca, principalmente
do ferrolho, para que o ponteiro fique sabendo
o que o ferrolho sinalizou.
6.Manobras
básicas
Alguns
grupos mantêm a mesma formação
durante todo o percurso. Nossa opção
é deixar cada um tomar a formação
que quiser, alternando o MEIO porem mantendo
o PONTEIRO e o FERROLHO, salvo segunda ordem.
Algumas
pessoas gostam de dar esticadas com a moto,
seja para tirar fotos ou simplesmente querer
correr um pouco mais, sendo necessário
sair da formação do grupo.
Isso pode ser feito sem nenhum problema,
bastando apenas avisar o PONTEIRO com o
devido sinal (ver sinais abaixo).
Do
mesmo modo, os que precisarem parar para
atender ao telefone, ajeitar algo que está
incomodando ou qualquer coisa do gênero,
que não necessite de muito tempo,
deverá avisar o Ponteiro e o Ferrolho
que irá encostar e ficar um pouco
para trás, sem necessidade de parar
todos. O Ponteiro deverá então
diminuir a velocidade de cruzeiro, até
que a pessoa que precisou parar o alcance
e indique que já está de volta
no grupo.
É
importante que quem parou avise o Ponteiro
que já regressou ao grupo pois sem
este informação o Ponteiro
irá manter a velocidade baixa e ficará
preocupado com a demora do integrante.
Ultrapassagens
Quando
o ponteiro precisar mudar de faixa da direita
para esquerda para fazer uma ultrapassagem,
ele deve ligar a seta e todo o resto do
grupo faz o mesmo. Entretanto ninguém
muda de faixa até que o ferrolho
entre primeiro na esquerda para impedir
que algum carro passe e indique que o grupo
todo pode mudar de faixa em segurança.
Retorno
à faixa da direita
Quando
o ferrolho indicar que o grupo precisa ir
para a direita para dar passagem, ao ligar
a seta para a direita todos devem fazer
o mesmo. Idealmente, a penúltima
moto deve entrar para a direita assim que
o ponteiro der seta também, para
impedir que algum carro ultrapasse pela
direita. Após todos entraram o ferrolho
libera a passagem.
Ultrapassagens
em estradas de mão dupla
Nesse
caso é praticamente impossível
assegurar espaço suficiente para
que todo o bonde ultrapasse em bloco. A
seqüência deve ser:
·
O Ponteiro sinaliza (pisca-pisca) a ultrapassagem
e a realiza.
·
Após passar o veículo ultrapassado,
ele permanece na esquerda, com o pisca esquerdo
ligado, enquanto não houver veículo
vindo em sentido contrário, de forma
a sinalizar aos motociclistas seguintes
do bonde que eles podem ultrapassar.
·Quando
ele voltar para a direita, as motos que
ainda não ultrapassaram devem imediatamente
deixar de tentar a ultrapassagem.
·Se
possível (experiência e visibilidade)
o último motociclista do bonde que
já ultrapassou deve se colocar na
faixa da esquerda (de forma análoga
ao descrito acima para o ponteiro) para
indicar ao restante do bonde que pode ultrapassar.
·Se
necessário o Ponteiro deve reduzir
a velocidade até ter certeza que
todo o bonde ultrapassou. Entretanto, essa
redução de velocidade não
pode ser tal que acabe não deixando
espaço à frente do veículo
ultrapassado para entrada das motos que
vêm de trás.
7.Reunião
de preparação (“briefing”)
Apesar
do nome pernóstico, é muito
importante, principalmente se no grupo houver
pelo menos um motociclista que não
está acostumado a andar como o grupo.
Nada
mais é que uma pequena ‘palestra’
do ponteiro, informando o caminho que será
seguido, onde serão as paradas de
descanso, reabastecimento ou encontro com
outros companheiros e uma descrição
rápida das convenções
e sinais descritos neste documento.
Nesse
momento é muito importante identificar
principiantes ou motos lentas para colocá-las
na posição correta dentro
do bonde e definir a velocidade que será
adotada.
8.Sinais
O
sinal deve ser preferencialmente feito com
a mão esquerda - que é a mais
"livre" durante a pilotagem.
Apontar
com o pé esquerdo ou direito para
o asfalto
Buraco,
óleo ou outro tipo de obstáculo,
do lado que foi indicado. Reduza a velocidade
e procure desviar (quando possível).
Atenção:
deverá ser sinalizado apenas do lado
da fila que tem o buraco, para evitar que
a moto de trás se confunda.
Se
o buraco está na esquerda, todos
da fila da esquerda devem sinalizar. Os
da direita ignoram, pois podem confundir.
Se
o buraco está no meio, as duas filas
devem sinalizar. Caso o buraco seja do lado
direito, cabe apenas à fila da direita
sinalizar.
A
mão e o braço esticado sobem
e descem sucessivamente:
Perigo,
atenção. Reduzir a velocidade.
Mão
e braço balançando para TRÁS
e para frente, como um remo
O
grupo está muito disperso, os mais
atrás devem acelerar para se aproximar
um pouco mais.
Braço
esquerdo apontado para a esquerda
Atenção,
reduzir para entrar à esquerda -
o piloto deve sinalizar com o braço
e acionar o pisca esquerdo em seguida.
Braço
esquerdo dobrado sobre o capacete com a
mão apontando para a direita
Atenção,
reduzir para entrar à direita.
Mão
esquerda apontando para cima e realizando
círculos no ar
Atenção
o grupo deve retornar.
Quando
o grupo está parado, também
pode significar acionar os motores para
a partida.
Mão
esquerda apontada para cima e espalmada
Atenção,
situação de emergência
à frente, exigindo cautela e redução
de velocidade imediata.
Com
o braço para cima, indicar o “numero
1” com a mão
Todos
deverão assumir a formação
de fila indiana única.
Com
o braço para cima, indicar o “número
2” com a mão
Voltar à formação normal.
Com
o braço esquerdo, indicar de modo
pendular balançando o antebraço
para esquerda e direita
Lombada
ou depressão à frente. Reduzir
velocidade.
Com
o braço esquerdo para baixo, fazendo
círculos com o dedo indicador
Polícia
à frente. Reduzir velocidade / Atenção.
Apontar
para o tanque de combustível e em
seguida simular uma degola de garganta com
a mão esquerda
A
moto entrou na reserva de combustível,
indicando que aquele piloto necessita parar
assim que possível para abastecimento.
Apontar
para si mesmo e em seguida simular um revólver
com a mão
O
motociclista irá se dispersar do
grupo, para a frente. Deverá ser
sinalizado ao Ponteiro.
9.Outras
dicas diversas
*Quando
um bonde parar em posto de combustível,
parar as motos na bomba a 45º, de frente
para a mesma. Com isso ganhamos espaço
e tempo, pois conseguiremos abastecer de
três a quatro motos sem manobras.