Em
função do programa Cia Liberdade,
que foi veiculado por 9 anos ininterruptos
e também pelas diversas palestras
que fui convidado a ministrar ao longo do
anos, tenho sido lembrado e convidado a
participar de algumas atividades durante
a semana do trânsito. Tenho que confessar
que geralmente não sou muito ativo
nestas atividades, mas tenho uma explicação,
quem não tem, não é?
Geralmente em todo o ano, somente uma única
semana é destinada a conscientização
sobre o trânsito e por tudo o que
já vi, não é suficiente
para fazer uma conscientização.
Na verdade é bastante frustrante
para quem organiza estas atividades porque
justamente as pessoas que mais precisariam
ouvir, ou participar delas, não está
nem aí. Em nossas palestras fechadas,
normalmente o número de pessoas no
auditório é pequeno e a maioria,
tenho certeza disso não precisaria
estar ali, porque sabe sobre o que estaremos
falando. Afinal, você leitor, deve
estar se perguntando, então não
vale a pena fazer esta atividade? Sinceramente,
o resultado é muito pequeno em termos
de conscientização. Mas então
o que fazer? Tratar o trânsito como
uma doença. Uma doença que
precisa de tratamento longo e intensivo,
sem folgas sob pena de retornar. Precisamos
fazer a década do trânsito.
Campanhas diuturnas de conscientização,
principalmente das crianças, que
serão os usuários do trânsito
no futuro. Se começarmos agora, pelos
próximos dez anos, estaremos conscientizando
crianças a partir de 8 anos, assim
quando eles estiverem atrás do volantes,
com certeza não farão tantas
besteiras quanto nós fazemos hoje.
Quando o Valentino Rossi, nosso gigante
das pistas no Moto GP, ganha um grande prêmio
e empina sua moto, está de forma
inconsciente, fomentando esta mesma vontade
nos pilotos de moto, audazes, intrépidos
e estúpidos, que vão empinar
suas motos no meio do trânsito. Mas
não vou aqui puxar o motociclismo
para o assunto, porque ele com certeza voltará
a ser o principal vilão. Quando se
fala em segurança de trânsito,
sempre se lembra dos motoboys, caídos
no asfalto, vítimas de acidentes,
as vezes fatais, mas engana-se quem pensa
que a culpa é do motociclista, sempre.
Pessoas fazem referência as várias
costuradas, mas estes motociclistas, que
fazem isso, quando se acidentam fazendo
isso, batem na lateral ou na traseira do
outro veículo. Agora quando a batida
é do lado e não é numa
sinaleira, tem que olhar quem vinha na preferencial,
pois eu nunca vi um motociclista, passar
direto numa transversal, por outro lado
várias vezes vi motoristas fazendo
isso, cortando a frente dos motociclistas,
muitas vezes com maldade, com aquele pensamento
de que “ele é pequeno que saia
da frente”. Todos precisam ser conscientizados,
desde o pedestre até o motorista
dos tremunhão, mas isso, não
conseguiremos em uma semana, talvez nem
em uma década, mas temos que dar
início com certeza. Parabéns
a diretran, que mesmo com todas as possíveis
frustrações, não esmorece
na busca por um trânsito melhor, mas...
Paulo
Ricardo Silva Todeschini
Empresário, comunicador
paulo@cialiberdade.com.br